Perfil da potência anaeróbica e velocidade em praticantes de rugby

 

MARIUSZ PUDZIANOWSKI as a Rugby Player

 

    O rugby é um desporto que exige uma variedade de respostas fisiológicas de seus atletas como resultado de combinadas e repetitivas corridas de alta intensidade e freqüência de contatos (I.R.B., 2008). Cada atleta do time desempenha funções diferentes, havendo necessidades específicas para cada condicionamento físico e nível de treinamento. No rugby há uma alta incidência de colisões, necessitando de características apropriadas para os participantes. Dragan (1978) apud Bompa (2002) cita como de suma importância para o desporto à velocidade, potência e alta capacidade aeróbica.

    A potência anaeróbica é um componente presente no estímulo gerado pelas demandas da modalidade. Entende-se por potência anaeróbia o maior esforço realizado durante determinada ação pela menor unidade de tempo disponível (HERNANDES JR, 2002, FLECK & KRAEMER 1999). Para o rugby, esta é uma capacidade física de grande relevância, sendo de suma importância realizar ações no menor tempo possível com a maior intensidade de esforço.

    O conhecimento dos efeitos do desenvolvimento da velocidade no desempenho esportivo despertou o interesse em como melhorá-la durante um processo de treinamento, tornando-se importante controlá-la durante um período de preparação. Platanov (2003) diz que a melhora da velocidade de uma ação motora se obtém em função da adaptação do aparato motor e determinadas condições, adquirindo uma coordenação muscular adequada que permita a utilização de todas as possibilidades individuais do sistema neuromuscular.

    No rugby, os movimentos executados pelos atletas são realizados de maneira cíclica através de corridas, trotes e movimentos acíclicos, ocorridos através de fintas. Segundo Weineck (1999) dentro da teoria do treinamento desportivo podem ser identificadas duas grandes manifestações de velocidade: a velocidade de movimentos cíclicos e a velocidade de movimentos acíclicos, a primeira foi controlada neste estudo.

    Com relação à maturação sexual, vários fatores interferem, alguns endógenos e outros exógenos como nível socioeconômico, hábitos alimentares e grau de atividade física. A resultante dessas influências determina a época do surgimento da maturação sexual e suas variações individuais, além das características de uma determinada população (MARCONDES, 1982).

    A precocidade no crescimento morfológico provavelmente proporciona vantagens importantes no esporte. Entre as variáveis de desempenho motor, a potência muscular e a agilidade são freqüentemente citadas como características fundamentais em modalidades esportivas que exigem grandes acelerações e mudanças rápidas na direção do movimento (BARBANTI, 1996; BERNHOEFT, 2008). Portanto o objetivo desse estudo foi descrever o perfil da velocidade e da potência anaeróbia de membros inferiores em praticantes de rugby.

Materiais e métodos

    A amostra foi caracterizada por 28 jovens praticantes de rugby do sexo masculino, vinculados ao San Diego Rugby Club da cidade de Porto Alegre/RS, divididos por categoria segundo ano de nascimento: Categoria M-17 (n=14): nascidos em 1991 e 1992; Categoria M-19 (n=14): nascidos em 1989 e 1990; Os testes feitos estão todos como previstos no cronograma do clube, que faz uma reunião no inicio do ano com todos os pais onde se propõe a aplicação de uma bateria de testes e avaliações e aqueles pais que concordam assinam o termo de consentimento livre e esclarecido. Todos os testes foram aplicados antes dos treinamentos.

Instrumentos de avaliação

Maturação sexual

    A maturação sexual dos atletas foi verificação através da avaliação dos pêlos axilares, baseado no protocolo de Tanner (1962), que são classificados em três níveis: 1- ausência; 2- ligeiro crescimento, 3- distribuição adulta. Ordenados em nível 1- Pré-púbere, nível 2 – Púbere e nível 3 – Pós-púbere conforme Siqueira (2007). A avaliação dos pêlos axilares foi realizada pelo avaliador em uma sala reservada com a presença do professor coordenador pedagógico onde os jovens entravam um de cada vez. Foi solicitado aos atletas que levantassem o braço para verificar a presença de pelos axilares.

Estatura

    Para medir a estatura dos atletas utilizou-se uma fita métrica com precisão de 2 mm, modelo Stanley de 3 metros de extensão, sendo a trena fixada na parede sem roda pé, marcando-se a metragem de baixo para cima. Utilizou-se uma prancheta em forma de para verificar a medida. Realizou-se a medida da estatura a partir da posição ortostática; pés descalços e com os calcanhares unidos; olhar fixo num ponto à frente. Foram realizadas duas medidas consecutivas, anotadas em centímetros.

Massa corporal

    Para mensurar a massa corporal dos atletas utilizamos uma balança digital, Dayhome, com carga máxima de 150 kg e resolução de 0,1 kg de precisão. Foi realizada a calibragem através de um peso conhecido. A pesagem foi realizada com o atleta descalço, em trajes leves (camisetas e calção).

Avaliação da Potência Anaeróbica Absoluta (PAA)

    A PAA foi obtida com a aplicação do Teste de Potência Flegner (TPF) proposto por FLEGNER (1983) apud FAIAL (2007) que consiste em mensurar a potência de membros inferiores, onde o avaliado executou uma seqüência de 10 saltos horizontais com as pernas unidas, objetivando atingir a máxima distância em um menor tempo possível. O TPF foi realizado no mesmo campo de treino, antes do início foi explicado para os avaliados os procedimento de coleta e logo depois um breve aquecimento. O campo foi demarcado com uma fita métrica estendida em 30 metros. Foram permitidas três tentativas, com um intervalo entre as mesmas de cinco minutos e anotando o melhor resultado da distância percorrida e o tempo utilizado para completar o teste.

 

Absolute Anaerobic Power Unit (AAPU) = Peso Corporal (kg) x Distância (m) / Tempo (seg)

Avaliação da velocidade

    A velocidade foi obtida com a aplicação do teste de corrida de 20 metros (T20) proposto pelo Projeto Esporte Brasil, Gaya e Silva (2007), onde o avaliado percorreu vinte metros no menor tempo possível. O tempo foi registrado em segundos e centésimos de segundos. Foram permitidas duas tentativas, somente o melhor resultado foi levado em consideração.

    O T20 foi realizado no próprio campo de treino, onde foi demarcada com cones em três pontos distintos, o primeiro na linha de partida, o segundo distante 20m da primeira (onde será o ponto de cronometragem), e o terceiro, marcado a um metro do segundo que seria a linha de chegada onde deveria cruzar o mais rápido possível. O cronometro foi acionado quando o avaliado colocou o primeiro pé dentro da pista e fechado quando colocou o primeiro pé fora da pista. O avaliador registrou o melhor tempo de após duas tentativas.

Tratamento estatístico dos dados

    Os dados foram analisados através de estatísticas descritivas (média, desvio padrão, valores mínimos e máximos). Todas as análises foram realizadas através do Programa MS Excel 2002.

Apresentação e discussão dos resultados

Tabela 1. Valores médios e variabilidade do peso e estatura para as categorias.

Variável

Categoria

N

Média

DP

Mínimo

Máximo

Peso

M-17

14

75,45

10,98

53,7

99,8

M-19

14

79,05

7,56

68,6

92,3

Estatura 

M-17

14

174,14

6,4

164

185

M-19

14

175,36

4,98

171

185

    Comparando-se os valores médios e desvios padrão de estatura e peso corporal entre a categoria M-17 e M-19 (tabela 1), observa-se que na categoria M-17 a média de peso corporal é de 75,45 kg ± 10,98, tendo como peso mínimo o valor de 53,7 kg e máximo de 99,8 kg, enquanto que na categoria M-19 a média é de 79,5 kg ± 7,56, e o valor do peso mínimo é de 68,6 kg e máximo de 92,3kg. Observando a estatura, verificamos que a categoria M-17 apresenta uma média de 174,14 cm ± 6,40 sendo que a estatura mínima é de 164 cm e a máxima de 185 cm, já na categoria M-19 a média corresponde a 175,36 cm ± 4,98, tendo como valores mínimos e máximos 171 cm e 185 cm respectivamente.

    Na tabela 2 são apresentados os índices médios, desvios padrão, máximos e mínimos valores referentes à potência anaeróbica absoluta e velocidade para a categoria M-17.

Tabela 2. Valores médios e variabilidade do teste de 20 metros (T20)

e Teste de Potência Flegner (TPF) da categoria M-17

Variável

N

Média

DP

Mínimo

Máximo

T20 (s)

14

3,05

0,14

2,78

3,26

TPF (w)

14

243,6

44,5

150,3

310,2

    A tabela 2 demonstra a relação entre T20 e TPF. Quando analisamos este quadro percebemos que a categoria M-17 em teste de velocidade e potência alcançou a média de 3,05 ± 0,14 segundos e 243,6 ± 44,5 Watts.

    Nos atletas avaliados verificamos o intervalo de 2,78 segundos como tempo mínimo e 3,26 segundos como tempo máximo, enquanto que em relação à potência o mesmo grupo atingiu o valor mínimo de 150,3 Watts e o valor máximo de 310,2 Watts.

    Na tabela 3 são apresentados os índices médios, desvios padrão, máximos e mínimos valores referentes à potência anaeróbica absoluta e velocidade para a categoria M-19.

Tabela 3. Valores médios e variabilidade do teste de 20 metros (T20)

e Teste de Potência Flegner (TPF) da categoria M-19

Variável

N

Média

DP

Mínimo

Máximo

T20 (s)

14

2,92

0,15

2,69

3,21

TPF (w)

14

259,1

36,55

202,5

323,6

    A tabela 3 demonstra a relação entre T20 e TPF para a categoria M-19. Os dados em teste de velocidade e potência para a referida categoria são: em velocidade, foi atingida a média de 2,92 ± 0,15 segundos, tendo como intervalo de tempo entre o mínimo e o máximo, os valores de 2,69 e 3,21 segundos. Já no teste de potência os indivíduos analisados alcançaram os valores de 259,1 ± 36,55 Watts e como valor mínimo 202,5 Watts e máximo 323,6 Watts.

    Comparando as categorias M-17 e M-19 percebeu-se que, dos atletas avaliados apenas um não estava em sua maturação completa, ou seja, encontrava-se na fase púbere, nos demais indivíduos encontravam-se na fase pós-púbere. A partir desses dados constatou-se que os atletas com idade cronológica mais avançada apresentaram os melhores resultados quanto à velocidade e potência nas variáveis T20 e TPF.

    Segundo os autores e pesquisadores Eriksson, (1980); Imbar & Bar-Or, (1986); Paterson, Cunningham & Bumstead, (1986); Tourinho Filho, H. & Tourinho, L., (1998) utilizando diferentes métodos de investigação, tem fornecido evidencias de uma mudança no metabolismo anaeróbico durante o crescimento. Lactato sangüíneo e muscular, atividade enzimática glicolítica, débito e déficit de oxigênio,performance de potência máxima em exercícios de curta duração e velocidade máxima em testes de campo aumentam da infância à fase adulta. Onde a progressão da potência anaeróbica com o crescimento, está provavelmente ligada aos níveis de testosterona no organismo. (Falgairette et alii, 1991; Imbar & Bar-Or, 1986; Tourinho Filho, H. & Tourinho, L., 1998). Estudos realizados por Butler, Walker, Walker, Teague, Fahmy & Ratcliffe (1989); Tourinho Filho, H. & Tourinho, L., (1998) evidenciam um aumento nos níveis de testosterona com a progressão da puberdade com diferenças significativas em todos os níveis de maturação.

    Conforme Gutman, Hanzlikova & Lojdaz, (1970) Krotkiewski, Kral & Karlsson, (1980); Tourinho Filho, H. & Tourinho, L., (1998) O efeito da testosterona sobre a musculatura esquelética tem sido observado em estudos com animais através de castração ou administração do referido hormônio, sendo constatado que a testosterona tem efeito sobre a musculatura esquelética, aumentando a porção relativa de fibras de contração rápida e a atividade da fosforilase, que é uma enzima-chave da glicogenólise e um indicador da capacidade glicolítica.

Conclusão

    A partir dos dados analisados neste estudo, pode-se concluir que apesar dos atletas da categoria M-17, mais novos, estarem totalmente maturados e se equipararem à categoria M-19 quanto à estatura e peso corporal, os indivíduos mais velhos obtiveram resultados melhor em questão de velocidade e potência.

    Estes resultados estão demonstrados na tabela 2 e 3, onde objetivamos que a categoria M-17 nos testes T20 e TPF alcançaram uma média menor que a categoria M-19.

    Portanto, este estudo sugere que novas pesquisas sejam realizadas a fim de qualificar o desempenho de atletas de Rugby, visto que não encontramos estudos no Brasil envolvendo atletas de Rugby nesta faixa etária e seus desempenhos.

 

 

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